Avaliação da Aprendizagem e Educação

Avaliação da aprendizagem é o tema deste Blog. Seguindo os textos inseridos, do mais antigo para o mais recente, você encontra uma compreensão sistemática sobre o tema.

3/7/09

Video sobre Avaliação

Você poderá assistir um vídeo sobre avaliação no site da Editora Moderna, São Paulo  — www.editoramoderna.com.br —, na pagina “TVWEB”, onde converso sobre o tema “Avaliação da aprendizagem e ações pedagógicas planejadas”.

Bom proveito e um abraço a todos

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    12:28 — Arquivado em: Sem categoria

Investigação em geral e avaliação como ato de investigar

Recebi a seguinte pergunta:

 

“A questão crucial em nossos estudos é: qual a diferença entre estudos de investigação e de avaliação”.

 

Respondi como se segue:

 

Não tenho uma bibliografia para indicar a você que aborde a distinção entre a pesquisa em geral e a avaliação como um ato de investigar a qualidade do resultado de uma ação humana ou de um ambiente, ou seja, a distinção entre pesquisar e avaliar.

 

Posso fazer-lhe alguma indicação de minha compreensão, mesmo porque tenho feito essa colocação em meus escritos e em minhas falas. E tenho trabalhado sobre isso.

 

Tenho defendido a compreensão de que o ato de avaliar é um ato de investigar. Então, o que difere a avaliação em relação à investigação em geral é o objeto da investigação da avaliação, que difere dos objetos de investigação em outras áreas do conhecimento.

 

No geral, a pesquisa trabalha com os fenômenos caracterizados como físicos, químicos, sociais, psicológicos, astronômicos, etc. Já a avaliação é uma investigação que se caracteriza por trabalhar com a qualidade do fenômeno que estuda, ou seja, ela investiga o seu objeto de estudo sob a ótica de sua qualidade, enquanto a pesquisa em geral estuda o fenômeno pela sua constituição (causalidade unidirecional ou sistêmica — múltiplas determinações —, a depender o enfoque do pesquisador) e pelo seu modo de operar.

 

Na prática avaliativa, também poderemos operar com o olhar unidirecional ou sistêmico (a depender dos fundamentos epistemológicos com os quais trabalhamos), mas tendo sempre como foco de investigação a qualidade que emerge das características da realidade e não, em primeiro lugar, sua constituição e operação.

 

Com isso, estou lembrando que, para investigar, necessitamos, sim, de coletar dados da realidade, para proceder a uma descritiva do fenômeno que estamos estudando, como base de nossas “leituras” dessa realidade. A avaliação, por seu turno, exige que vamos um pouco além, atribuindo qualidade à realidade, o que implica na comparação do fenômeno descrito com um padrão ou critério de qualidade, tendo em vista dar  suporte ao juízo qualitativo que possamos atribuir a essa realidade. A pesquisa em geral não necessita de proceder esse juízo qualitativo, pois que ela não trabalha com a qualidade, mas sim com a constituição e operação da realidade. Então, enquanto a pesquisa em geral atua com os juízos de realidade, a avaliação atua com os juízos de qualidade, tendo por base uma descritiva da realidade.

 

Não podemos nos esquecer que a avaliação atribui uma qualidade à realidade, em decorrência de seus dados, que podem e devem ser identificados e descritos. A avaliação está comprometida epistemologicamente com os juízos de qualidade, diferentes dos juízos de realidade. Isso nos remete ao campo da filosofia que estuda “juízos de valor” e “juízos de realidade”, que, em última instância, vai cair na configuração ontológica do que é o ser e do que é o valor (fundamentos ontológicos do valor ou axiologia = estudo dos valores).

 

A avaliação trabalha com os juízos de valor (qualidade = adjetivo), diferente das ciências em geral que trabalham com o juízo de realidade (substantivo = o que é). Mas isso, não faz da avaliação um campo subjetivo de conhecimentos, devido seus juízos necessitarem de estar, obrigatoriamente, calçados numa descrição da realidade, como assinalei acima. Caso não haja uma satisfatória descritiva da realidade, cairemos sim no subjetivismo, mas decorrente de uma prática inadequada da investigação, e não como uma característica da avaliação.

 

Deste modo, a avaliação é uma investigação, sim; porém com um objeto muito próprio, que é a qualidade dos fenômenos com os quais ela atua.

 

Importa ainda uma observação. A avaliação atua em duas direções possíveis. De um lado,  ela é formativa (processual, contínua…), ou seja, uma prática de investigar a qualidade de resultados decorrentes de um processo enquanto esse processo está se realizando e, pois, produzindo resultados intermediários (em construção) e, de outro, ela pode se apresentar como uma avaliação certificativa, que tem por intenção atestar (testemunhar) a qualidade de alguma coisa na sua completude.

 

A exemplo, posso lembrar o padrão ISO, que é uma certificação internacional de empresas e instituições. Para estabelecer essa certificação, dá-se um consistente processo investigativo, que permite atribuir a uma empresa ou instituição a qualidade ISO… “x”, ou seja, afirma-se que essa instituição apresenta uma qualidade tal e, por isso, lhe é oferecido um  certificado socialmente reconhecido.

 

No que se refere a uma instituição, a avaliação formativa tem a ver com a investigação permanente dos resultados decorrentes de sua atuação diária (processo). Já a avaliação certificativa é a investigação que atesta que essa instituição apresenta uma qualidade X em seus produtos, atendimentos, cuidados…. (resultado pleno). O mesmo pode ocorrer com qualquer outro fenômeno que seja investigado em sua qualidade — um grupo social, uma comunidade, um espaço físico, a aprendizagem de um estudante, a atuação de uma escola como organização…

 

Com essa exposição, espero e desejo ter podido auxiliar na compreensão da semelhança e da diferença entre investigar em geral e avaliar como um ato de investigar.  

criado por bahi0728    12:16 — Arquivado em: Sem categoria

17/6/09

Educação e maturidade emocional

Recebi a seguinte solicitação

 

Caro Luckesi,


Sendo aluno universitário, vivenciando inúmeros problemas nos profissionais da educação na minha universidade e após ter adquirido, lido e relido várias vezes suas magníficas obras “Avaliação da aprendizagem escolar” e “Avaliação da aprendizagem na escola”, me surge a dúvida:  COMO UM PROFESSOR PODE CONTRIBUIR PARA O DESENVOLVIMENTO DA MATURIDADE DOS ALUNOS UNIVERSITÁRIOS??


Visto que a maioria dos alunos agem como se estivessem no ensino fundamental e os professores como profissionais da pré-escola. Eu, como futuro educador, qual seria minha contribuição e atitudes para reverter essa trágica situação?


Mas uma vez, desde já agradeço imensamente pelo carinho, respeito e atenção.
 
Abraço

 

 

Respondi provisoriamente da seguinte forma

 

Existem alguns estudos recentes, no âmbito da psicologia, que estipulam a existência de uma “inteligência emocional”. Isso nasceu após Howard Gardner ter dito que temos múltiplas inteligências. Não tenho clareza sobre o fato de existir, ou não, múltiplas inteligências; talvez, eu prefira assumir que existe uma só inteligência com múltiplas capacidades ou facetas, como propôs Jean Piaget.

 

Porém, em todo caso, o que seria inteligência emocional? A meu ver, nada mais do que “agir com maturidade”. E, o que significa “agir com maturidade”?

 

A história bio-psíquica-espitirual da humanidade nos fez seres em desenvolvimento, por isso, passamos pelas fases embrionária, fetal (intra-uterina), recém-nascido, infante, criança, pré-adolescente, adolescente, adulto, idoso.

 

Cada fase dessas se caracteriza por um determinado nível ou estágio de desenvolvimento. Contudo, ao atravessarmos essas fases, em nossas vidas pessoais, nos fixamos em muitos aspectos de cada um delas, seja pelos padrões de conduta em nossas famílias, seja pelos traumas que sofremos, seja pelas impregnações culturais que recebemos no nosso meio. E essas fixações impedem-nos de vivermos segundo as características e exigências de cada uma dessas fases da vida. Ou seja, ficamos aprisionados em determinados aspectos das fases anteriores.

 

Assim sendo, temos crianças agindo como infantes; temos adolescentes agindo como crianças ou pré-adolescentes; temos adultos agindo como adolescentes ou como crianças, ou, pior ainda, como infantes. Todos conhecemos adultos agindo infantilmente. Muitas vezes, ou na maior parte das vezes, agem assim pela força do inconsciente. Isso tudo quer dizer que não chegamos à maturidade e, por isso, não sabemos utilizar a inteligência emocional, ou seja, agir com a maturidade que nossa idade e nosso estágio de vida pede.

 

Então, como formar nossos educandos para agir com inteligência emocional, ou seja, com a maturidade correspondente ao seu estágio de desenvolvimento? Acredito que é acolhendo como eles são e confrontando-os para que dêem um passo à frente, tendo em vista aprender como agir de uma forma compatível com sua idade em relação a si mesmo e em relação ao outro, ao meio ambiente. Freud foi pródigo no estudo das imaturidades, que denominou de neuroses.

 

Recusar como cada educando age e reage não serve para muita coisa. Atacá-los e desqualificá-los também não. Importa, a meu ver, em primeiro lugar, acolher o seu modo de ser, mas não para acomodar-se a ele, porém para, amorosamente, confrontá-los para que  dêem mais um passo em direção à maturidade, o que significa aprender a administrar a própria vida, a serviço de si mesmo e dos outros.

 

David Boadella diz o que o que cura uma pessoa e a “receptividade viva de outra pessoa”, ou seja, ser acolhido e confrontado amorosamente.

 

Para isso, é importante que o educador esteja sempre olhando para si, tentando ver se ele também não age sem a utilização da inteligência emocional. Se ele age configurado por condutas adolescentes ou infantis, seus educandos também agirão desse modo, pois que ele é o líder da sala de aula e será ele quem dará o tom às atividades e à vida dentro desse espaço. Se o tom dele for infantil, os estudantes também reagirão infantilmente. Se o tom dele for adolescente, os seus estudantes também reagirão infantilmente.

 

Dentro dessa perspectiva a educação escolar, desde a pré-escola até a pós-graduação, deveria estar atenta, juntamente com a cognição, aos aspectos afetivo-emocionais e éticos da formação do educando. Isso significa que todos os educadores, sejam quais forem as disciplinas com as quais trabalhem, necessitam de estar atentos a esse fator. Nós professores necessitamos de estar cuidando de nós mesmos, a fim que nossa maturidade emocional nos guie em nossa relação com os educandos. Relações interpessoais saudáveis são fundamentais para estudantes aprendam isso. Eles aprendem a maturidade vendo e vivendo com adultos maduros, entre eles, os professores.

 

Quando descambamos, seja lá pelo motivo que for, para o “turbilhão emocional”, dificilmente conseguiremos orientar nossos educandos para a maturidade emocional, eles não poderão aprender com cada um de nós a maturidade emocional, caso não a manifestemos também em nosso cotidiano.

 

Por enquanto fico por cá.

Atenciosamente

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    13:05 — Arquivado em: Sem categoria

Intervenção para a construção de resultados satisfatórios

Recebi a seguinte solicitação:

 

Olá professor, meu nome é Jorge Luiz, sou acadêmico do curso de letras no estado de Mato Grosso e estou escrevendo minha monografia justamente nessa questão “avaliação”  com novas perpectivas para a  prática avaliativa, focando a refacção textual, se a mesma é “aplicada”, de uma forma que traga rendimento significativo ao aluno e se o a aplica como se deveria? o senhor poderia me dar umas dicas , uns informes? ah! claro  já utilizo do seu material. desde já obrigado.” 

 

Respondi como se segue.

 

A ”refacção textual”, se compreendo bem, significa a reconstrução de um texto, após sua avaliação, ou seja, ele fora (1) produzido pelo educando, (2) avaliado, (3) refeito. Se assim é, a “refacção” significa a reorientação dos rumos da aprendizagem, após o diagnóstico de resultados parciais ou intermediários.

 

Pois bem, então, a “refacção do texto” não é a avaliação propriamente dita, mas sim a intervenção, após um ato avaliativo.

 

Observe que o ato de avaliar é uma ato de investigar a qualidade de alguma coisa. Caso essa investigação revele fragilidade nos resultados da ação, haverá necessidade de uma intervenção, tendo em vista sua restauração ou a sua construção em moldes mais satisfatórios. Caso essa investigação revele já a satisfatoriedade dos resultados, ocorrerá uma certificação (ou validação) dos resultados como positivos.

 

Então, no seu caso, compreendendo a avaliação como investigação e, se necessário, uma intervenção, importa:

(1) definir com precisão a que resultados deseja chegar, ensinando construção de texto;

(2) definir que aprendizagens o educando deve manifestar para que você admita que ele produziu um bom texto (tendo presente o seu nível de desenvolvimento), ou seja, definir os critérios de avaliação);

(3) identificar e elaborar um satisfatório e adequado instrumento de coleta de dados que possa efetivamente coletar dados de desempenho do educando, possibilitando descrever sua conduta aprendida; claro, no nível de desenvolvimento em que está, foi ensinado e aprendeu;

(4) aplicar o instrumento;

(5) tratar os dados (correção e tratamento);

(6) atribuir qualidade aos resultados (por comparação entre o desempenho descrito e os critérios de aceitação dos resultados);

(7) se necessário, praticar uma intervenção para o aperfeiçoamento dos resultados;

(8) se não se faz necessária uma intervenção, ocorre, então, uma certificação da qualidade final da conduta aprendida pelo educando. É esse resultado que necessita de ser registrado nos documentos escolares, usualmente denominado de nota. A nota só pode vir no final e não no meio do caminho. Isso obrigará os educadores a efetivamente investirem na aprendizagem dos educandos e não admitir que uma aprendizagem “média” já seja satisfatória.

 

O ato de avaliar, não tem mistérios quando é assumido como um ato de investigar e, se necessário, intervir. É um ato científico de investigação. O que você necessita de fazer é demonstrar como esse processo é eficiente também na aprendizagem da construção de textos por parte dos educandos escolares.

 

Atenciosamente

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    11:40 — Arquivado em: Sem categoria

Momentos históricos da avaliação da aprendizagem

O que se segue é transcrição de um comentário de Cacia Cahem, da Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB), esclarecedor sobre oe momentos históricos que marcaram padrões de conduta no que se refere à avaliação da aprendizagem. Gostei das considerações que ela fez como comentário de um texto em meu blog, por isso, passo-o para texto do blog, compartilhando com todos vocês, leitores deste blog, esses conheciemntos, ao tempo em que agradeço os comentários e contribuições da profa. Cacia.

“Oi professor, como está o sr, estava sentido sua falta, pois suas postagens me ajudam bastante nas minhas discussões, e por incrivel que pareça, trabalhando com disciplina avaliação da aprendizagem no Curso de Pedagogia da UESB, busquei resgatar os momentos em que os processos de verificação da aprendizagem se configuraram na educação sistematizada.

Na análise realizada caracterizei, quatros momentos:

o 1 iniciado com os exames a partir do século XII quando surgem as universidades, a perspectiva dos exames orais e como possibilidade de acesso a graus e titulos, em dois outros momentos mais parecidos com o que ainda hoje vivenciamos com Comenius e a Ratio Studioriun;

o 2 momento foi caracterizado nos meus estudos de avaliação como medida, a psicologia apoiada em critérios ditos objetivos busca através da edumetria da psicometria, docimologia estabelecer o quanto vale aquilo que aprendemos.

apoiada em Stufllebeam, o 3o momento foi caracterizado como avaliação como gestão é nesta época que surge o termo avaliação educacional e a avaliação busca outros elementos embora ainda se configure como exames e medidas e tem Ralph Tyler como “pai da avaliação) já que sengundo Pophan (1983) foi o primeiro a configurar uma proposta de avaliação. Este período foi caracterizado em quatro momentos:
a) período tyleriano;
b) período da inocência;
c) período do realismo;
d) período do profissionalismo.

Nos meus estudos configuro o quarto momento em formativo, um movimento caracterizado assim pelas características apresentadas pelos teóricos e estudiosos desse momento, que idependente do modelo caracterizam a avaliação como um ato que envolve a informação, a mudança de postura e a tomada de decisão.

Bem penso que, professor, a grande questão está ai, é necessário esta ressignificação para entedermos qual é na realidade a função da avaliação na educação sistematizada.

Penso assim como o sr, que a educação sistematizada e o propósito de cada nível deve guiar a forma como avaliamos. Uma não avaliação, onde a coleta de dados é feita aleatoriamente, em nome de uma pedagogia progressista(equivocadamente), fato este comprovado na minha pesquisa, acaba sendo tão arbitrário quanto a utilização dos exames somente com o intuíto de excluir.

Gostaria de continuar disutindo com o sr, tenho questionado muito de que forma a avaliação principalmente no ensino superior possa realmente auxiliar no processo de formação do sujeito e consequentemente no trabalho do professor.

Estou tentando configurar uma forma de avaliar os meus alunos, tentando eliminar alguns pontos enraizados na cultura do curso de pedagogia, aqui no meu espaço de trabalho:
* avaliação em grupo;
* avaliação como ensino;
* a utilização de instrumentos, aleatoriamente, que não servem para coleta de dados;
* resultados entregues somente ao térrmino do semestre;
* mercantilização da realização dos isntrumentos por parte dos alunos, e outros.

Será que o sr teria disponibilidade para desenvolvermos esta pesquisa aqui na UESB, ou seja analisar o meu projeto e acompanhar a execução através do envio dos dados. Caso seja possível entre em contato comigo.

Abraços
Cácia

criado por bahi0728    8:36 — Arquivado em: Sem categoria

Avaliar um produto — jogo educativo

Prezada consulente,
Avaliar a qualidade de um produto significa proceder uma investigação científica sobre a mesma. Para tanto, necessita de seguir minimamente o rigor de uma pesquisa científica.
 
Assim sendo, importa, de um lado, ter clareza (1) do que você quer pesquisar e, de outro,(2) que instrumentos poderá utilizar para proceder a coleta de dados, dos quais necessita para fazer “uma leitura” da realidade que pretende compreender.
 
Assim sendo, a ficha que construiu e aplicou tem como objeto de investigação a coleta de ”opinião de crianças que se utilizaram do jogo”. é isso mesmo que você deseja?
 
Observe que você poderia, por exemplo, entre outras coisas, (1) desejar obter opinião de especialistas da área de jogos educativos; (2) saber como as crianças que usam o jogo reagem ao mesmo; (3) saber os efeitos desse jogo no processo afetivo e congnitivo das cirnaças; etc… Para cada perspectiva de abordagem, necessitaria de estabelecer instrumentos adequados para a coleta de dados. Os objetos de investigação, de certa forma, indicam que instrumentos necessitamos para proceder uma pesquisa.
 
A avaliação de um produto depende do que se deseja observar e quanto mais abrangente forem as variáveis consideradas mais completa e mais complexa será a avaliação. Efetivamente, também mais rica e abrangente.
 
A ficha que você construiu toma exclusivamente uma variável: a opinião de estudantes que experimentaram servir-se do jogo, na abrangência e nos limites dos indicadores que você tomou. Nada mais que isso.
 
Todavia, isso já satisfaz você? Já responde todas as indagações que você faz sobre a qualidade do que produziu? Se satisfaz, OK. Se não satisfaz, o que mais deseja saber? Sua investigação deverá tomar todas as variáveis (óticas, ângulos) sob as quais seu produto necessita de ser visto, tendo em vista sistematicamente descrever a qualidade das diversas facetas do seu produto.
 
Só dessa forma, poderá ter um senso do que produziu, tendo em vista corrigir distorções para melhorá-lo ou até mesmo validá-lo.
 
Um ato avaliativo, em primeiro lugar, tem por objetivo subsidiar a produção do melhor resultado de nossa ação e, posteriormente, até mesmo validar esses resultados.
 
Sem mais, atenciosamente
Cipriano Luckesi
criado por bahi0728    8:18 — Arquivado em: Sem categoria

1/4/09

Avaliação da aprendizagem e Ratio Studiorum

Recebi uma consulta sobre a relação da Ratio Studiorum, documento da Educação Jesuítica publicado em 1599, final do século XVI, e a avaliação da aprendizagem,^prática proposta e desenvolvida a partir das primeiras décadas do século XX.
A Ratio Sutdiorum, representando a educação católica do século XVI (e posteriores), e a Didática Magna, de John Amós Comênio, representando lado protestante, a partir dos inícios do XVII, configuraram o que venho denomiando de exames escolares, que são praticados cotidianamente em nossas escolas.
 
Os exames escolares tem características diferentes das características da avaliação, como você pode ter apreendido dos meus escritos. Numa palavra, os exames são classificatórios e a avaliação é diagnóstica.
 
Nesse contexto, você me pergunrta sobre a relação da Ratio Sudiporum com a avaliação, e eu respondo que a Ratio definiu, no século XVI, a prática dos exames escolares, que são classificatórios, presentes de forma predominante ainda hoje em nossas escolas, e a avaliacão da aprendizagem é um conceito do século XX, especialmente a partir da década de 1930, tendo por origem as obras de Ralph Tyler, cuja característica principal é ser diagnóstica, o que implica em intervenção na busca de melhor resultado, o que os exames não fazem.
 
Exames escolares e avaliação são dois fgenômenso diversos entre si, ainda que parecidos em alguns dos seus elementos, tal como o fato de que ambos exigem uma decrição do desempenho do educando, dai a necessidfade de instrumentos de  coleta e dados através de instrumentros escritos (por exemplo, provas nos exames; testes na avaliação) ou orais (por exemplo, arguição nos exames; entrevista na avaliação).
 
Mas, só nisso se assemleham, no mais são diversos, como você já deve ter compreendio nos livros que cita ter adquirido.
 
Sem mais, atenciosamente
Cipriano Luckesi
criado por bahi0728    8:44 — Arquivado em: Sem categoria

26/3/09

Avaliação e niveis de escolaridade

Recebi uma consulta a respeito da epecificidade da avaliação da aprendizagem para cada nível de ensino e respondi o que se segfue.

 

O ato de avaliar, em si, como investigar e intervir na perspectiva de obter o melhor resultado, é equivalente em todos os ambientes e possibilidades, todavia, ele serve ao projeto de ação ao qual está atrelado, o que, no caso, de suas perguntas sobre “avaliação nos diversos níveis de ensino”, redunda que há especificidade nos atos avaliativos em projetos realizados para os variados níveis de ensino. O projeto de ensino para a alfabetização é diverso do projeto de ensino para o fundamental, médio ou superior ,ou outros cursos não-formais.

 

Com isso, estou a lhe dizer que avaliação será sempre, em qualquer circunstância, um ato de investigar e intervir na realidade, tendo em vista bons resultados. Todavia, os atos avaliativos deverão, também, sempre ter presente as variáveis que configuram o seu objeto de abordagem, no caso da educação institucionalizada, quem configura essa especificidade é o projeto pedagógico, que dá direção à ação.

 

Ou seja, se você pratica avaliação na alfabetização, deverá levar em conta as variáveis que configuram a alfabetização; se pratica a avaliação no ensino fundamental, deverá levar em conta as variáveis que configuram esse nível de ensino; e, assim, em qualquer outro nível de ensino.

 

Com isso, estou a lhe dizer que existe um conceito e uma prática da avaliação que é a mesma em todas as circunstâncias — investigar e intervir; esse é o conceito e a configuração básicos da avaliação. Esse modelo de compreensão e prática , quando aplicado em objetos específicos, terá que ter presente as variáveis desse objeto. Por isso, existe uma prática avaliava que atende cada um dos níveis de ensino, ainda que a estrutura metodológica seja a mesma — investigar e intervir. O que diferencia são as variáveis a seren levadas em conta no ato de avaliar.

 

Sem mais.

Cipriano Luckesi

 

criado por bahi0728    13:50 — Arquivado em: Sem categoria

25/3/09

Avaliação dialógica

OBS - Para um estudo sistemático sobre avaliação da aprendizagem, você deve fazer uma leitura de todos os textos deste blog, iniciando dos mais antigos para os mais recentes.

 

Recebi uma consulta via internet sobre avaliação dialógica e respondi como se segue abaixo.

 

Muitas vezes, autores que tratam do tema da avaliação, não cuidam adequadamente de precisar os termos utilizados para tratar do tema. Vou tentar esclarecer os termos envolvidos nesse tema.

 

De fato, avaliação, para ser avaliação, necessita de ser dianóstica, formativa, dialógica, dialética, etc… O ato de avaliar, em síntese, é uma ato dinâmico a serviço dos melhores resultados possívveis, dentro de um determiando projeto de ação. A avaliação serve à eficiência do projeto.

 

No caso de sua consulta, de um lado, importa obervar que não existe avaliação bancária, como está citado no texto reproduzido por você. Existe, sim, uma prática de exames escolares que foi confundida com avaliação. Avaliação e exames escolares são coisas diferentes. Venho insistindo nisso nos textos que escrevo, assim como nas conferências que tenho feito.

 

Por outro lado, uma prática dialógica da avaliação deveria servir a um projeto pedagógico também dialógico. O que vai implicar em compreender o que vem a ser “dialógico”, que é um termo usado pelo professor Paulo Freire, mas intepretado de varidas e múltiplas formas, inclusive por modismo.

 

Então, se por dialógico se compreende, como em Paulo Freire, a insercão de uma ação pedagógica no contexto sócio-cultural do educando, sob uma ótica democrática, para proceder a avaliação dialógica, haverá que se estabelecer e executar um projeto pedagógico com essas características, o que implicará diálogo com as circunstânicas sócio-culturais onde se dá a prática educativa, assim como implicará, ao mesmo tempo, olhar para o estudante e suas condições pessoais. O que, por sua, vez, implicará num investimento consistente para que o educando e o seu meio social saiam do estado e estágio em que se encontram de vida e desenvolvimento, de uma forma politicamente consciente, assim como consistente.

 

O perigo está em pensar no dialógico como alguma coisa onde qualquer resultado está bem. A pedagogia do professor Pulo Freire deseja emancipação do ser humano, mas,  para isso, importa em ensino e aprendizagem eficientes. Caso contrário, far-se-á de conta que houve ensino e aprendizagem, em nome de uma pedagogia emancipatório, que, de fato, se não for eficiente, não trará emancipação nenhuma. É fácil dizer — “eu trabalho com a pedagogia do professor Paulo Freire”—, mas é trabalhoso e complexo realizar isso.

 

Em síntese, avaliação dialógica deverá levar em conta todas as variáveis contempladas no projeto pedagógico dialógico, que implica em ter presente as variáveis determiantes do meio soócio-cultural onde se dá a prática educativa e que interfere nele, assim como as variáveis do educando, na perspectiva de que seja eficiente em seus resultados. Então, a avaliação estará a serviço de um projeto pedagógico comprometido com as variaveis do meio sócio-cultural onde o educnado está inserido, assim como com as variáveis determinantes do modo de ser do educando (pessoal, biológico, psicológico…), na persepctiva de possibilitar a emancipação do sujeito e, ao mesmo tmepo, do meio.

 

Atenciosamente

Cipriano Lucklesi

criado por bahi0728    8:50 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

26/2/09

Estudo sistemático sobre avaliação da aprendizagem

Se você, leitor deste blog, tem desejo e necessidade de um estudo sistemático sobre avaliação da aprendizagem, deverá ler os textos deste blog de 05/06/2007 para cá.

Bom proveito

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    14:59 — Arquivado em: Sem categoria
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://luckesi.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.