Avaliação da Aprendizagem e Educação

Avaliação da aprendizagem é o tema deste Blog. Seguindo os textos inseridos, do mais antigo para o mais recente, você encontra uma compreensão sistemática sobre o tema.

4/8/07

Resitências ao ato de avaliar II

(Continuaçã do post anteiror sobre as "Resistências ao ato de avaliar I"

Assim sendo, educadores que desejam efetivamente atuar pedagogicamente, servindo-se dos recursos da avaliação da aprendizagem, portanto, de um modo diverso do ato de examinar, necessitam de assumir consciência clara de que estão rompendo com o modelo social excludente (a avaliação e inclusiva), com cinco séculos de história de educação (os exames escolares foram sistematizados no século XVI e a avaliação da aprendizagem no século XX), assim como com os próprios fantasmas internos adquiridos ao longo de sua vida pessoal e escolar (os medos e ansiedades que passamos não devem ser argumento suficiente para que também geremos o medo e a ansiedade junto aos nossos educandos).

Para transitar do ato de examinar para o ato de avaliar na escola, necessitamos de proceder a uma metanoia, termo grego que significa conversão. Conversão, aqui, não tem nada a ver com “conversão religiosa”; tem a ver, sim, com ultrapassagem de conceitos e modos de agir que já não mais nos auxiliam em nosso caminhar pela vida e pela atividade profissional. E, aqui volta, a compreensão do que é insanidade, para John Hunter: insano é querer obter resultados novos com hábitos antigos. Para se obter resultados novos, são necessários modos novos de agir.

Avaliar é um ato subsidiário da obtenção de resultados positivos com nossa ação. Ninguém de nós, em sã consciência, age para obter insucesso. Todos desejamos sucesso. Por que, então, na prática educativa, nos contentamos com o fracasso de nossos educandos; ou, pior ainda, ficamos felizes, quando geramos esse fracasso com as provas desnecessariamente complicadas que elaboramos e aplicamos em nossos educandos? A avaliação subsidia, em qualquer atividade humana, o resultado bem sucedido. Ela oferece os recursos para diagnosticar (investigar) uma ação qualquer e, a partir do conhecimento que obtém sobre a qualidade dos resultados dessa ação, intervir nela para que se encaminhe na direção dos resultados desejados. É assim que agimos em nosso cotidiano, porque não agir assim também na prática educativa escolar? Não parece insano, agir sem que se busqu, ao máximo, resultados positivos? Em tudo desejamos o sucesso, mas, no que se refere á escola, acreditamos que “alguém tem que ser reprovado, pois que nem todos podem aprender todas as coisas”. Que crença estranha, não?!!!!

O sucesso, seja lá no que for, exige investimento e o ato de avaliar dá suporte e sustentação para esse modo de agir. Ela subsidiou os grandes cientistas, os inventores das tecnologias, os empreendedores bem sucedidos em todas as áreas humanas, assim como subsidiou todos aqueles que buscaram a superação de uma dificuldade ou impasse na vida. O ato de avaliar é um aliado de todos que desejam produzir resultados satisfatórios com sua ação. Por que não na prática educativa?

Este texto é um convite para olharmos para nós mesmos e para nossas condutas, assim como um convite para decidirmos se desejamos mudar, ou não, nossa conduta de educadores no que se refere à avaliação da aprendizagem. Caso desejemos transitar do ato de examinar para o ato de avaliar, todos os dias, antes de nos dirigirmos para o contato com nossos estudantes na sala de aula, necessitamos de repetir um propósito: “nunca mais atuarei com os atos examinativos em minha sala de aula”. Será necessária a repetição desse propósito por muitas e muitas vezes, até que, vagarosamente, vamos saindo do “templo do exame escolar” e ingressando no “templo da avaliação da aprendizagem escolar”.

Cipriano Luckesi 
 

criado por bahi0728    12:02 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

7 Comentários »

  1. Comentário por cacia rehem — 5 de agosto de 2007 @ 20:35

    Oi professor, tenho lido sempre o seu blog e gostado, acho que as suas discussões sobre o tema tem se encaminhado para uma perspectiva acho eu de compreensão do universo avaliativo, desde o seus primeiros trabalhos o sr coloca esta tese de exame e não de avaliação, mas eu mesmo continuava achando que o ato de examinar era avaliação, vejo que não, pois como o sr.mesmo aponta as caracteristicas das duas são completamente divergentes, embora ainda continuemos acreditando que são similares.No meu trabalho não tenho ainda entrado neste mérito, espero estar entrando nessas discussões quando partir para a parte de análise dos dados. Que práticas são essas e em que concepção estão baseadas?. Como vou fazer uma pesquisa não posso de antemão dizer o que irei encontrar, mas acredito que não encontrarei práticas de avaliação no ensino superior, mas continuarei encontrando práticas de exames. Não tem sido fácil discutir sobre avaliação, por isso tenho procurado a sua origem no século XX a partir das fases propostas por Stufflebeam e Shinkfield que a caracterizam em cinco momentos de evolução ao longo so século XX. Estas leituras que faço dos seus textos tanto no site como agora no Blog me ajudam muito a escrever e pensar sobre avaliação.
    Fico muito grata.
    Cacia

  2. Comentário por isabel — 6 de agosto de 2007 @ 13:35

    Oi professor, quero ouvi sua opinião, meu sobrinho está na 7º série hoje está com a caligrafia feia, e o professor de artes não está fazendo a correção de algumas questões da prova dizendo: “que não corrigi porque não entedia e sua letra esta feia”. Você acha justo um aluno ficar prejudicado por sua letra ser feia.Tem outros instrumento que ele pode usar para fazer a correção desta questão e assim mostrando para ele que devemos escrever para outra pessoa lê.E assim conquistando a confiança do aluno e não deixar o aluno prejudicado .Fico muito grata .

  3. Comentário por Cacia Rehem — 6 de agosto de 2007 @ 15:41

    Oi isabel, desculpe a pergunta é para o professor Luckesi, mas como estou sempre lendo pois estou trabalhando com avaliação. fiquei espantada por ainda hoje um professor de artes não corrigir as atividdes do aluno, dizendo que a letra é feia, quando na realidade a própria disciplina dele ajudaria na construção de uma caligrafia melhor se ele tivesse sensibilidade. Gostaria de ouvir também a opinião do professor sobre esta questã, será que existe resposta? ou simplesmente lamentar pela falta de conhecimento deste professor sobre avaliação.

  4. Comentário por Cipriano Luckesi — 12 de agosto de 2007 @ 12:20

    Cácia,

    Que bom que aquilo que venho expondo da compreensão que venho elabornado sobre avalaiação possam estar sendo úteis para você, sua compreensão e sua pesquisa.

    Esse é o caminho da “multiplicação dos pães”! Devagar, nós educadores iremos compreendendo que o ato de avalair é um aliado fundamental no sucesso de nossa atividade. Ela subsidia a b usca de resultados bem sucedidos. É só para isso que ela serve.

    Grato.
    Um abraço
    Cipriano

  5. Comentário por Cipriano luckesi — 12 de agosto de 2007 @ 12:47

    Isabel,

    Penso q ue o professor, neste caso, não tem ainda clareza sobre as necessidades de uma criança no seu ato de aprender a escrever.

    Para escrever, a criança necesita de adquirri uma coordenação fina e, para tanto, necessita de muitos e muitos exercícios. Um aletra não é nem feia nem bonita. É q que a criança está podendo apresentar agora. Para modificá-la, há necessidade de investimento para que isso aconteça, o que implica não em desqualificar a criança e os resultados de sua ação, mas sim ensiná-la muitas e muitas vezes. O educador necessita de ser aliado da crinaça em sua jornada de aprendizagem.

    Um abraço
    Cipriano

  6. Comentário por Thais Dias — 20 de agosto de 2007 @ 14:46

    Oi professor, estou cursando 4° período de pedagogia numa faculdade aqui do Espírito Santo, e estou dando aulas particulares para duas crianças em diferentes horários. uma delas está na 1° série tem a letra que digamos vulgarmente “feia”, e lê todas as palavras mas escreve de forma rápida para fazer outra tarefa, ou seja brincar, ele adora ler, e eu o insentivo ler, eu gostaria de saber se fosse realmente possíel o que eu poderia estar fazendo para tentar mudar essas atitudes dele, a outra criança tem alguns problemas físícos, algumas deficiências nada de grave, ele escreve tudo o que vc mandar escrever, copia muito bem, mais não consegue ler uma palavra se quer, nenhuma mesmo!, ele está em uma série única, ele tem 12 anos e ainda está nesse estágio de desenvolvimento, o que leva à ele ser muito lento, mais muito dedicado a aprender. Professor teria alguma forma de vc me ajudar a dar esse passo?! obrigada
    obs. tenho lido tudo o que vc já publicou, e sou sua fã!
    obrigada
    Thaís

  7. Comentário por Cipriano Luckesi — 9 de novembro de 2007 @ 18:44

    Thais,

    Quanto a primeira criança, que é rápida em suas tarefas, para poder fazer outra (brincar), acredito que é assim mesmo. As crianças gostam de brincar. Eu também gostava… e muito!

    O que fazer, penso que paciência, cuidado e insistência são fatores fundamentais. Sem eles, dificulmente essa criança aprenderá o que necessita de aprender e o que efetivamente ela pode aprender no estágio de desenvolviemtno em que se encontra. Se posso dizer-lhe alguma coisa é: seja paciente e ensine e reensine quantas vezes for necessário, através de atividades. Crianças são ativas e necessitam de um ensino por atividades.

    Quanto a outra criança, a que parece nada aprender do ponto de vista da leitura. Acredito que necessita, em primeiro lugar, de ver de onde vem essa dificuldade. Ela porta alguma deficiência? Se assim for, necessitará de cuidados especiais. Mas, se não porta uma deficiência, você poderá ensinar-lhe por repetidas vezes, também através de tarefas, para que ela aprenda fazendo e, com certeza aprenderá. Foi assim que todos nós aprendemos.

    Um abraço e sucesso em sua jornada.
    Cipriano Luckesi

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