18/8/07
Ainda os domÃnios cognitivo, afetivo e psicomotor
Cícera Aguilar pergunta — “Como avaliar os comportamentos: COGNITIVOS, AFETIVOS E PSICOMOTORES?”.
E, a seguir, acrescenta:
“- O domínio afetivo envolve sentimentos, atitudes profissionais e éticas, emoções, valores e interesses. O tipo de relacionamentos dos alunos com as pessoas do ambiente (colegas, docentes, funcionários, pacientes, etc) influencia a sua aprendizagem e o seu desempenho. É função do professor tentar desenvolver nos alunos a valorização desses comportamentos. Como farei avaliação dos meus alunos no domínio afetivo para verificar se eles estão valorizando o citado acima?
- Em uma situação que o profissional X executa com perfeição a parte técnica, porém é insensível aos sentimentos dos alunos e o outro é vice-versa. Como atribuir os conceitos depois de avaliar o desempenho dos dois?”
Nas duas especificações, percebemos que o que, efetivamente, está em jogo não é a avaliação, mas sim a “aprovação ou reprovação” das condutas citadas. Num processo avaliativo, não há que se atribuir conceitos a quem quer que seja, o que seria proceder a uma classificação. Na avaliação não se classifica ninguém, mas sim se diagnostica, tendo em vista uma intervenção na busca de uma melhor solução.
O ato de avaliar é um ato de investigar a qualidade do que está acontecendo, tendo em vista aceitar como está ou investir na sua mudança. Neste caso, como em outros, na prática educativa, o que interessa não é estabelecer uma classificação do que está certo ou errado em alguma conduta, mas sim em como melhorá-la.
Ambas as especificações postas pela perguntadora têm a ver com a personalidade das pessoas, seja no caso dos educandos como no caso dos profissionais. Cada ser humano, na medida em que se desenvolve, biológica, psicológica e espiritualmente, deveria estar transitando da “simbiose com a mãe” para a “lei do pai”, conforme a linguagem de Freud. Ou seja, cada um de nós deveria estar caminhando para a maturidade, para o domínio de si e da convivência com o outro.
Se assim é, nosso trabalho educativo não tem a ver somente com o ensino-aprendizagem das informações e dos procedimentos metodológicos científicos, mas sim com o todo do nosso educando, o que inclui também esses elementos. O educador seria aquele que, já adulto, estaria posto para auxiliar o educando (criança, jovem ou adulto) a fazer sua jornada para a vida adulta e isso implica em todos os aspectos acima citados. Um adulto sabe se vincular e se relacionar com adequação.
Tanto na primeira quanto na segunda especificação, postas por Cícera Aguilar, importa ter presente, do ponto de vista dos educandos, dar-lhes suporte para que vão seguindo na direção da vida adulta, o que implica num relacionamento estável consigo mesmo, com o outro e com o meio ambiente; do ponto de vista do profissional, se desejamos que ele mude de conduta, trabalhar com ele e, para isso, há necessidade de cuidados no seu autoconhecimento e no seu autodesenvolvimento.
Afinal de contas, todos nós portamos singularidades, decorrentes do nosso passado biográfico, marcado por eventos variados, que vão desde traumas à experiências bem sucedidas. Todas deixam suas marcas em nosso corpo-mente. É com a síntese delas que nos colocamos e nos expressamos no mundo. Contudo, importa saber que tudo pode ser modificado. Da forma como estamos hoje, poderemos ser outra coisa amanhã, se, para isso, tivermos desejos claros e ação eficiente.
Cipriano Luckesi
criado por bahi0728
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