Avaliação da Aprendizagem e Educação

Avaliação da aprendizagem é o tema deste Blog. Seguindo os textos inseridos, do mais antigo para o mais recente, você encontra uma compreensão sistemática sobre o tema.

28/9/07

Expansão da cultura da avaliação, mais uma vez

Recebi a mensagem abaixo, via e-mail, de Juliana Infante, da cidade de Sorocaba, SP, cidade onde vivi minha pré-adolescência e minha adolescência. Cito-a aqui, somando forças para a construção de uma rede de educadores que atue com as práticas da avaliação da aprendizagem em suas salas de aula.

Subject: Parabéns pelo livro - Avaliação da Aprendizagem

Boa noite. Eu me chamo Juliana estou cursando Pedagogia e estou fazendo meu T.C.C sobre Avaliação da Aprendizagem Escolar. Gostei muito do seu livro, pois me ajudou em muitas dúvidas que eu ainda tinha sobre pesquisar ou não esse tema.

Hoje, graças a Deus, encontrei o seu site, estou animadíssima para começar a minha pesquisa, pois, por enquanto, estamos na parte de aprender a construção do T.C.C.

Ainda não terminei de ler o seu livro, mas pelo que eu já li, com certeza, vai me ajudar bastante.

Atenciosamente
Juliana Infante
Pedagogia – Uniso

Juliana, fico feliz por saber que o material que tenho escrito poderá ser-lhe útil em sua caminhada de estudos e de formação como educadora. Vagarosamente, vamos formando uma grande rede de educadores que, por investirem no sucesso de sua ação educativa, estudam, compreendem e usam os recursos da avaliação da aprendizagem como auxiliares da construção de resultados bem sucedidos em sua prática docente.

De fato, necessitamos de uma grande rede de educadores que estudem, aprendam e usem as práticas da avaliação da aprendizagem em sala de aula. A avaliação é uma prática de investigar a qualidade da realidade e, nela, intervir, na busca dos melhores resultados. Afinal, nenhum ser humano age, apostando no insucesso. Nós sempre apostamos no insucesso. Porque, então, necessitamos de, na escola, nos servirmos dos exames escolares, que não ajudam em nada a construção de resultados bem sucedidos, pois que estão centrados na “aprovação/reprovação” do educando e não na sua efetiva aprendizagem? Superar o fracasso escolar no país depende de muitos fatores, mas também de um investimento significativo dos educadores em sua prática de ensino para que seus estudantes efetivamente aprendam. Nessa tarefa, a avaliação da aprendizagem é uma grande aliada. Ótimo que você esteja se abrindo para isso já no seio do seu curso de formação universitária. Necessitamos e necessitaremos de educadores e educadoras cada vez mais compoetentes como pessoas e como profissionais.

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    17:48 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

Expansão da cultura da avaliação da aprendizagem

Há um certo tempo atrás, desejei deixar de trabalhar com o fenômeno da avaliação da aprendizagem, pois que faziam muitos anos que atuava com esse fenômeno (iniciei no ano de 1968), porém foram muitos os convites para fazer palestras, conferências e escrever artigos. Nesse contexto, desisti do meu intento e coloquei em seu lugar um projeto de vida voltado para a “expansão da cultura da avaliação da aprendizagem na escola”. Para isso, até mesmo escrevi um pequeno livro que se intitula: Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática, editado pela Malabares Comunicação e Eventos Ltda, Salvador, Ba, certamente já conhecido de alguns dos leitores deste blog.

Recentemente recebi uma mensagem, via e-mail, de Diogo Alex Soares de Oliveira; nós não nos conhecemos pessoalmente. Creio que Diogo me desculpará pelo fato de colocar sua missiva neste blog, pois ela representa, com a força da fala interna, o desejo e a necessidade de estabelecermos uma rede a favor da expansão da cultura da avaliação da aprendizagem em nossas escolas (Não a expansão da cultura dos exames. Esta já existe entranhada em nossas escolas, em nossas práticas escolares e em nossas crenças cotidianas e inconscientes). A missiva de Diogo, de 17 de setembro de 2007, diz:

Bom dia professor,

Quero agradecer pela contribuição de suas reflexões sobre avaliação. Sabe, professor, esse é um assunto que me perturba muito, pois durante muito tempo, em minha vida de estudante, passei por esses exames que nunca contribuíram em nada na minha vida. Hoje eu sinto que esse tipo de "avaliação" deixou uma lacuna muito grande dentro de mim, e fico imaginando o quanto tem sido prejudicial esse tipo de "avaliação" para os estudantes de uma formal geral.Uma avaliação que exclui, que não faz pensar porque o que importa é a média final.

Agradeço pela oportunidade que o senhor me deu de refletir e de me indignar com todo esse processo tão doloroso que as nossas crianças e jovens têm que passar todos os dias.

Pode contar comigo para levantar essa bandeira de uma avaliação construtiva desde o primeiro dia de aula, e onde se mergulha profundamente na essência verdadeira que é avaliar (amor, compromisso, dedicação, planejamento). A educação tem que ser um ato de AMOR. Quer saber como mudar o mundo? Comece com uma atitude real de AMOR, carinho.

Um grande abraço. Fique em paz.

Diogo, sou eu quem fica agradecido pela oportunidade que você está me dando de sinalizar, através deste blog, a idéia de “expansão da cultura da avaliação da aprendizagem em nossas escolas”. Nós educadores necessitamos de dar as mãos e estabelecermos uma rede em todo esse país de pessoas que estudam e se dedicam a utilizar os recursos da avaliação em suas salas de aulas, para que nossos educandos aprendam melhor e, assim, sejam mais felizes, o que redundará, na vida social, numa vida mais saudável.

Você, eu e tantos outros, se nos dermos as mãos, certamente que “faremos verão”, pois que, como diz o ditado popular, “uma andorinha, só, não faz verão”. Juntos, com certeza, faremos verão.

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    12:27 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

Avaliar aprendizagem de surdos no ensino de inglês

Recebi a solicitação abaixo e coloco-a no blog devido poder ser útil para outros educadores:

Meu nome é Joselito, sou professor de Inglês de Vitória. Gostaria de saber como avaliar alunos surdos que estudam com alunos ouvintes. Obs: EJA E SURDOS NO NOTURNO. Mesmo conteúdo ensinado para surdos e ouvintes. Desde já agradeço pelas respostas anteriores.

Avaliar surdos num curso de inglês, oferecido juntamente para não surdos, apresenta uma dificuldade ímpar. Será necessário estabelecer o que pode e o que deve aprender um surdo numa disciplina como inglês, que, no caso, exige a fala, desde que eles estão juntos com estudantes ouvintes e falantes. Num país de língua inglesa, certamente que um surdo aprenderá se expressar através de uma linguagem de sinais, mas, no nosso caso, na escola pública comum, não teremos essa possibilidade. Então, necessitamos de estabelecer os critérios para a prática da avaliação nessa prática específica do ensino.

A avaliação deverá seguir o que se ensina e o que é possível ensinar nesse contexto. Você não poderá utilizar os mesmos critérios para ambos os tipos de estudantes com os quais trabalha, pois que eles têm características diferenciadas. Além disso, não se esquecer que o ato de avaliar, não é um ato de aprovar ou reprovar, mas sim de encontrar soluções para a obtenção dos melhores resultados possíveis.

O que é o ensino-aprendizagem para um falante-ouvinte e o que é o ensino-aprendizagem do inglês para um não falante e não-ouvinte? É isso que você deverá ter presente tanto no ensino quanto na avaliação da aprendizagem desses estudantes.

Atenciosamente
Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    11:42 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

27/9/07

Freqüência como critério de avaliação

Em 31/08/2007, Cácia Cohem escreveu-me o seguinte:

Oi Professor, queria que o sr se pudesse, fizesse uma análise desse entendimento, estou analisando os documentos oficiais e os documentos da UESB sobre a avaliação da aprendizagem, nos documentos oficiais LDB, Diretrizes Curriculares, etc, não tem referencia sobre a avaliação dos alunos para o ensino superior, na UESB no regimento tem como deve acontecer e não tem concepção explicita só implícita, pois trata de instrumentos de medição e atribuição de notas, mas uma coisa tem me chamado a atenção, a questão da obrigatoriedade da freqüência como um elemento de avaliação, pois se não cumprir 75% está automaticamente reprovado. veja a minha questão, não seria um equívoco relacionar freqüência a verificação da aprendizagem, este item não poderia estar em normas disciplinares ou outro capítulo. O que o Sr acha, a UESb acompanha a indicação da LEI, que diz que freqüência reprova, mas não deveria ser colocado em outro local. O que o Sr. acha, a questão da confusão de termos também é muito presente, falam de desempenho acadêmico, de avaliação de exames finais, e tantos outros. Me dê uma posição sobre o que o Sr. pensa, e atualize o blog, já me acostumei a ler.
Abraços
Cacia

Cácia, de fato, os regimentos escolares colocam a “freqüência” como se ela fosse uma variável a ser levada em consideração na avaliação da aprendizagem. Se atentarmos bem, vamos verificar que freqüência não é uma variável da aprendizagem. No caso da escola, ela está comprometida com a presença do estudante ao espaço escolar e às atividades escolares. Assim sendo, ela é condição de participação dos estudantes nas atividades escolares, porém, como você bem sinaliza, ela não é uma variável da aprendizagem, pois que o estudante pode estar presente e não aprender, assim como o estudante pode estar ausente da escola e aprender.

Deste modo, propriamente, a freqüência não é uma variável da aprendizagem, mas sim uma condição da prática educativa presencial. Neste caso, se há uma prescrição de 75% de presença, esse dado não serve de base para uma avaliação em si, mas sim para o afastamento, ou não, do educando da atividade. Deste modo, ainda que os regimentos escolares coloquem a freqüência no contexto dos artigos que configuram a avaliação da aprendizagem, de fato, ela não oferece nenhuma base para a avaliação desse fenômeno.

Para ser mais adequada, essa disposição legal deveria estar em algum lugar do regimento que definisse o modo de relação entre escola e estudante (o seu funcionamento) e não no âmbito da avaliação da aprendizagem.

Atenciosamente
Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    19:25 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

15/9/07

Resultados positivos e investimento nos resultados

Bons resultados positivos decorrentes da prática educativa, expressos por atos investigativos na avaliação, dependem de investimento na produção desses resultados. O educador (não só ele evidentemente) na sala de aula tem o dever de oferecer o melhor de si para que os estudantes possam chegar a aprendizagens significativas. Temos muitas outras variáveis intervenientes, tais como políticas públicas para a educação, financiamento, baixos salários, etc., mas, na sala de aula, podemos dar o melhor de nós para que os educandos efetivamente aprendam. Isso significa nosso investimento. Sobre isso, ver, em meu site www.luckesi.com.br, os seguintes textos na pagina Artigos: Revista Abc Educatio:

Gestão democrática na escola, ética e sala de aulas

Por uma prática educativa centrada no educando

O educador: quem é ele?

Bom proveito!
Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    8:58 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

Avaliação: instrumentos de coleta de dados V

Nesta oportunidade, desejo convidar o leitor a visitar o meu site www.luckesi.com.br, na página Artigos: Revista Abc Educatio, onde encontrará dois textos que abordam questões relacionadas à estrutura de um instrumento, tendo presente as questões de processo e produto e as questões implicadas em domínio de desenvolvimento do educando. Um educador, ao elaborar um instrumento, necessita de ter presente esses cuidados. Então ver os seguintes artigos na página indicada do site:

Prática educativa: processo e produto

Avaliação da aprendizagem: domínio e desenvolvimento

Bom proveito!
Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    8:40 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

Avaliação: instrumentos de coleta de dados IV

Nesta oportunidade, desejo orientar o leitor para a “página” do meu site www.luckesi.com.br,  intitulada Artigos: Revista Abc Educatio, onde encontrará dois artigos que tratam de alguns cuidados a serem levados em consideração na elaboração de questões para um instrumento de coleta de dados para a avaliação. No caso, ver os seguintes textos:

Avaliação da aprendizagem e comunicação

Avaliação da aprendizagem e ética

Bom proveito!
Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    8:31 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

Avaliação: instrumentos para coleta de dados III

Desejo, nesta oportunidade, remeter o leitor para dois textos que tratam da necessidade da sistematicidade a ser levada em conta na seleção de conteúdos para um instrumentos de coleta de dados para a avaliação. Estes textos estão em meu site www.luckesi.com.br, na página Artigos: Revista Abc Educatio.  No caso, dirigir-se a esse campo do site e ver os seguintes textos:

 

Estudar tudo para quê, se os professores não levam tudo em consideração?

Avaliação da aprendzagem: mais um vez.

 

Bom proveito

Cipriano Luckesi

 

 

criado por bahi0728    8:19 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem

14/9/07

Avaliação: instrumentos de coleta de dados II

O que foi colocado no texto anterior deste blog sobre a sistematicidade necessária a ser levada em conta na construção de um instrumento de coleta de dados para a avaliação pode ser melhor compreendido. E a isso que vamos nos dedicar neste momento.

Quando procedemos ao planejamento do ensino, estabelecemos tudo o que vamos ensinar ao educando e o que desejamos que ele aprenda. Nesse ato, definimos tudo o que é essencial ensinar, por parte do educador, e tudo o que é necessário aprender, por parte do educando. Agir sistematicamente no planejamento e na elaboração do instrumento de coleta de dados para a avaliação da aprendizagem significa seguir aquilo que estabelecemos como essencial para ser ensinado e aprendido.

Assim, o conjunto de conteúdos e condutas a serem levados em consideração na construção do instrumento, de certa forma, já deve estar configurado no momento em que procedemos ao planejamento do ensino. Lá definimos o que ensinar e como ensinar. A avaliação vai investigar a qualidade dos resultados. Para tanto, ela necessita coletar dados de forma sistemática sobre tudo o que foi ensinado e o que o estudante deveria ter aprendido. A qualidade da sua aprendizagem será detectada através do instrumento. Para isso, importa que ele seja bem construído, tendo como uma das suas características cobrir todos os conteúdos ensinados.

Como age um sociólogo ao proceder a uma investigação? Vamos imaginar que ele tenha por tarefa estudar as características sócio-culturais de um bairro de uma cidade. Ele não parte de imediato para elaborar “algumas” questões (eventuais e aleatórias) que serão utilizadas para obter dados junto aos seus informantes.

Primeiro, ele estabelece o projeto de estudo desse bairro e, decorrente desse projeto, elaborará instrumentos para a coleta dos dados necessários a sua investigação. Para tanto, tomará um papel e elaborará uma lista de tudo o que necessita de saber dos moradores do bairro, tendo em vista caracterizá-lo sócio-culturalmente: endereço onde o morador reside, sexo, idade, escolaridade, religião, participação em clubes sociais, hábitos de estudo, de leitura, de uso da televisão, do rádio, etc… Somente após ter bem configurado as suas necessidades de informação é que ele vai escolher o instrumento ou os instrumentos que irá utilizar. A elaboração das questões, então, segue uma configuração sistemática de tudo o que se necessita de saber.

Coisa semelhante deve ocorrer com o educador para saber se o educando deu conta de aprender o que deveria ter aprendido pelo ensino realizado. Em primeiro lugar, necessita de ter claro para si o que é que precisa saber sobre o educando (o mapa de conteúdos necessários à aprendizagem do educando, decorrentes do ensino realizado). Necessita, em primeiro lugar, de saber que tipo de instrumento coletará os dados que precisa (nem todos instrumentos são úteis para coletar os dados que necessitamos) . Em segundo terceiro lugar, necessitará de elaborar as questões que comporão o instrumento que irá coletar os dados sobre o desempenho do educando, tendo por base o mapa sistemático de conteúdos a serem incluídos no instrumento..

O uso da sistematicidade na coleta de dados sobre o desempenho do educando revelará o quanto o educador é cuidadoso com o ensino, com a aprendizagem e com a avaliação. Um instrumento que não tenha sido construído sob essa ótica não coletará os dados necessários à prática da avaliação, devido eles não permitirem uma efetiva configuração do que o estudante aprendeu ou não aprendeu. Caso o instrumento não seja construído dessa forma, a coleta de dados realizada com ele distorcerá a realidade da aprendizagem do educando. Não fará uma adequada descritiva do que o estudante aprendeu e do que não aprendeu. Um instrumento mal elaborado e inadequado pode ser um fator fundamental para interferir negativamente na vida de um estudante, ao afirmar, a partir dele, o estado de aprendizagem do educando. Um instrumento, com essa qualidade negativa, pode interferir definitivamente na vida de um educando, reprovando-o indevidamente, por exemplo. Daí a necessidade de estar atento às regras da metodologia científica para a construção de um instrumento de coleta de dados para a prática da avaliação da aprendizagem.

Cipriano Luckesi

criado por bahi0728    20:16 — Arquivado em: Avaliação da Aprendizagem
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